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RBS#4 | Sáb 08.08.09 | 14h | Pça Savassi


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O RoodBoss Soundsystem é um sistema de áudio instalado eventualmente no espaço público de BH. Inspirado nos antigos sound systems jamaicanos, leva para as ruas um pouco da rica cultura musical dessa famosa ilha caribenha. Trata-se de um evento de rua gratuito onde todos são bem vindos. A música em alta potência aproxima uma enorme quantidade e diversidade de pessoas que acabam contaminadas pelo balanço num clima de pura diversão e harmonia.

A quarta edição do RBS é especial. Enquanto o povo jamaicano celebra a independência de seu país no dia 6 de Agosto, comemoraremos aqui o Jamaican Day no Sábado, dia 8. A proposta é tentar percorrer as vertentes da música da Jamaica com base na cronologia de seu desenvolvimento. Mento/Calypso às 14h, Ska/Jamaican Jazz às 15h, Rocksteady/Early Reggae às 16h, Roots Reggae/Dub às 17h, Dancehall/Ragga às 18h e à partir das 19h uma miscelânea que inclui estilos influentes e influenciados. Dessa vez, a Praça Diogo de Vasconcelos é o local que dá sequência na itinerância. Conhecida como Praça da Savassi, é o centro dessa importante região comercial que reúne uma vasta gama de frequentadores, desde famílias a juventude boêmia.

O evento de estréia aconteceu nas proximidades da Praça da Estação, região central da cidade. O som surpreendeu os transeuntes e a espectativa das pessoas que ali estavam! A segunda edição foi na Praça Duque de Caxias no Santa Tereza, antigo e boêmio bairro de BH. Tranquila, bem arborizada e rodeada por bares e restaurantes a praça foi ponto de encontro para dez horas seguidas de muita animação. Na Praça da Assembléia aconteceu o terceiro RBS. O agradável espaço de convivência da praça reuniu grande quantidade de pessoas de todo tipo.

Estamos falando de uma produção musical e cultural que influenciou intensamente outras partes do mundo. E não entenda cultura jamaicana apenas por Bob Marley, roots reggae e rastafari. Os jamaicanos recebiam sinais de rádios americanas que transmitiam rítmos como R&B, soul, funky e jazz. Aos poucos foram experimentando fusões de elementos presentes ali com a música local (mento e calypso) criando assim o ska, responsável pela internacionalização da música da Jamaica. À partir daí a coisa foi naturalmente se transformando e gerando outras variações como o Rocksteady e o Reggae, passando pelo Dub, Dancehall e Ragga. As vertentes se coexistiam e eram discotecadas frequentemente nas discotecas ambulantes denominadas sound systems, que se tornaram populares na ilha desde a chegada dos hits americanos. Os sound systems iniciaram toda essa cultura de DJs, MCs e remixes que conhecemos hoje.

Acompanhe o blog beagaska.wordpress.com para mais informações sobre música e cultura jamaicana. E até dia 8!

Original Sundays

O final de semana está fraco? Então se liga no melhor final de domingo pra você que quer ragga, reggae, dub, ska, rap, dirth south, grooves, enfim, tudo que faça balançar – em Belo Horizonte: Original Sundays na Arcadium.
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Dancehall, a perda da “marca” jamaicana!

Li esses dias no Invasão Jamaica (blog da MTV feito pelo pessoal do You & Me) uma matéria sobre uma reunião ocorrida em Nova York para tentar debater o futuro da “marca” jamaicana, que hoje vem sendo denigrida pelo Dancehall.

Pesquisando mais sobre o assunto, percebi que a maioria das pessoas que prezam pela “imagem” da Jamaica, que mundialmente foi construida com o Reggae, é contra o Dancehall. Isso porque a maioria das músicas desse ritmo enfatizam sexo, violência, homofobia, armas, drogas, dinheiro… temas “marginais” que exprimem  o contrário da mensagem difundida pelo Reggae. Outra razão para “reprovarem” esse ritmo é que além disso, ele vem acabando com os instrumentistas jamaicanos, pois passaram apenas a usar as bases de músicas antigas jamaicanas e a incorporar o computador como meio de produção musical.

Assim como na época de Bob Marley, vários jovens jamaicanos passaram a assumir o Rastafari como filosofia de vida. Hoje, há a preocupação de que a juventude da ilha “se perca” pela influência do Dancehall, pois a Jamaica é um país onde a cultura e comportamento estão completamente vinculados à música.

Além dos problemas sociais incoporados ao Dancehall, fica uma preocupação muito grande em relação à música jamaicana. Como já foi dito, os bons instrumentistas jamaicanos estão desaparecendo e o Dancehall nada mais é do que reutilização de bases, computadorização das músicas e letra por cima disso tudo. É um ritmo mais pobre e simples. O grande problema, não é o Dancehall em si e sim esse tipo de música se tornar a única forma de produção musical. Imagine o Brasil sem MPB, Rock, Samba… e apenas existindo Funk! A comparação seria mais ou menos essa, pois o Funk é de certa forma o Dancehall brasileiro, pois a temática, os bailes e  as letras seguem a mesma linha .

Outro ponto é: a primeira leva de Dancehall era bem próxima do Reggae, apesar de letras um pouco mais explícitas. Artistas como Yellow Man, Barrington Levy ou Eak a Mouse, faziam e fazem um som diferente do que hoje em dia é chamado de Dancehall, atualmente o Ragga e o Dancehall se misturam e diferem bastante dos primórdios desse ritmo tão polêmico.

Eu, particularmente, gosto da primeira leva do Dancehall. Acho um ritmo animado e muito dançante. O Dancehall não precisa acabar, só espero que a Jamaica não estagne e evolua para ritmos tão “grandiosos” como foi o Reggae, Ska, Rocksteady…

Curiosidade:

  • Imagine uma música nacional que fale contra o tráfico de drogas, seria uma música legal né? Pois então, o homosexualismo é ilegal na Jamaica e é por isso que o Dancehall em relação a esse tipo de letra não é tão mal visto dentro da própria ilha, o problema é quando essa música sai de lá para o mundo. (obs.: não sei o ano do documentário em que obtive essa informacao e não sei se a legislação jamaicana continua considerando homosexualismo um crime)
  • Bandas mundialmente famosas, como é o caso do UB40, têm elementos de Dancehall em suas músicas.

Informação: Separei alguns links interessantes e que eu li e assiti antes de escrever esse post. Recomendo que vejam todos ;).

Post relativos e músicas para curtir:

Yellowman – Most Wanted

Para dar continuidade ao ultimo post, vai ai um disco do Yellowman, um icone do dancehall e um dos unicos artistas a alcançar a fama no mesmo patamar de Bob Marley na Jamaica.

Yellowman é albino por isso sempre sofreu muito preconceito, mas foi com seu talento como Toaster que ele superou as dificuldades e se tornou um popstar Jamaicano. O disco que estou postando é um coletânea lançada em 2007 pelo selo Greensleeves e contém clássicos da carreira do cantor como: Mr. Chin, Yellowman Getting Married e Body Move, além de musicas que so haviam sido lançadas em compactos 12″ como: Who Can Make The Dance Ram e Nobody Move Nobody Get Hurt, esta ultima que teve o verso popularizado no Brasil pelo Planet Hemp e que brinca com a musica  “54, 46 that’s my number” do Toots and the Maytals.

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Dancehall e Raggamuffin

Quanto começamos as discotecagems aqui em BH com o Cavalo de Tróia e depois com o Roodboss Soundsystem, sempre houve muita duvida em relação ao Dancehall, parece que pouca gente sabe o que é, então resolvi fazer um pequeno texto pra tentar esclarecer um pouco sobre esse assunto.

No final dos anos 70 a Jamaica passava por uma mudança de governo, saia a esquerda e a direita entrava no poder, e isso se refletiu na musica os temas de critica social e religião (Rastafari) que dominavam o reggae deram lugar a letras sobre sexo, violência e festas. Nesta época o produtor Don Mais juntamente com os Roots Radics estava trabalhando com alguns Riddims O Riddim é a base instrumental de uma musica, que vai sendo usada por varios artistas sempre se reciclando antigos da Studio One, dai surge o ritmo do dancehall com bateria e baixos bem marcantes. yellowman

Logo os cantores da época aderem ao novo ritmo e consequentemente os Soundsystems que com Toasters – Toasters são os “mestres de serimonia” de um soundsystem, eles cantam e falam por cima das musicas animando o publico – como Yellowman, Lone Ranger e Ranking Joe vão moldando o dancehall, e logo os Toasters estavam gravando discos com as musicas que faziam em cima dos riddims de dancehall e começaram a lancar mais discos do que os cantores. Foi ai que surge o nome Dancehall, que é o termo usado para os locais aonde ocorrem as festas dos Soundsystems.

Em 1985 o dancehall começa a mudar, usando um teclado Cassio MT-40 o produtor King Jammy cria o que é considerado o primeiro Riddim completamente digital, o Sleng Teng Riddim, que é lançado na musica “Under Me”  Sleng Teng de Wayne Smith. A musica estoura na jamaica e logo o dancehall é tomado pela sonoridade eletronica, o estilo de vocal também muda e se torna mais rapido “agressivo” com artistas como Buju Banto, Cobra,  Bounty Killer e Shabba Ranks, o estilo fica conhecido como Raggamuffin.

Nos anos noventa o Dancehall/Raggamuffin sai da jamaica e toma o mundo, quem não conhece o Shaggy? Mas com a fama o dancehall começa a ser bastante criticado pelas letras violentas e algumas vezes até mesmo homofobicas, isso levou muitos cantores a repensarem seus valores e voltarem suas letras para o Rastafari e critical social, alguns até escrevem tanto sobre a religião quanto sobre violência e slackness (sexo). Hoje em dia o dancehall vive uma boa fase com varios artistas espalhados pelo mundo como: Mr. Vegas, Damian Marley, Elephant Man, Sean Paul, Tippa Irie e Dr. Ring Ding.

No Brasil o dancehall chegou nos anos 90 com bandas como Skank e o Planet Hemp, hoje em dia o estilo vem crescendo cada vez mais pelo pais com nomes como: Jimmy Luv, Arcanjo Ras, Lei Di Dai, Ms. Ivy, Funk Buia, Jeru Banto (que passou aqui por BH com o Digitaldubs) e muitos outros, até o rapper de BH, Renegado passou pelo dancehall em seu disco com as musicas Sei quem ta comigo e Santo Errado.

Bom, é isso, no mais segue ai alguns links interesantes:

http://www.raggabrasil.com (Site sobre o dancehall no Brasil com textos, entrevistas e downloads, etc)

http://www.riddimbase.org (Banco de dados sobre Riddims, desde os classicos até os mais modernos)

http://www.dancehallreggae.com (Site sobre dancehall, com noticias, letras de musicas, videos, etc)


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